terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Trouble, Trouble, Trouble

São quatro horas da manhã e eu me pego, anos e anos depois, tentando explicar pra mim mesma o que você representou. Tudo e nada, preto no branco. Quem foi você? Quem era eu? O que você fez comigo?

Eu era apenas uma garotinha sem rumo, sem personalidade, com um nome estampado nas costas. Você também o era, mas a sua característica suicida me atraia, me agarrava, sacudia, mudava de lugar tudo o que havia dentro de mim. Esse fetiche causado pela distância, pela necessidade, pela improbabilidade de conhecê-lo; isso tudo me arrebatava e fazia crescer cada vez mais esse vício, essa droga que tomou conta do meu cérebro e da minha vida por tanto tempo.

Tempo...Ah, o tempo! Ele mesmo tratou de me reabilitar, ainda que contra a minha vontade. Quem haveria de querer se livrar de um sentimento tão bom quanto...a obsessão?! Era isso o que eu era, uma virgem desolada e obcecada pela chance de gritar ao mundo que quilometragem nenhuma seria páreo para a nossa minha aventura  adolescente, regada a álcool e rock 'n' roll.

E hoje, anos depois, não há mais pesar em meu peito, mas ainda sou atormentada pelas lembranças da vida que nunca tive. A gravidez na adolescência, a vida no litoral gaúcho, o ganha-pão pautado no desenho que a luz faz sobre a película, formando a imagem. Condição possível, mas pouco provável, com qualquer um. O grande gol não foi e nunca seria você. Eu só quis sonhar com uma vida sem amarras, um amor louco, doentio.

E foi esse amor que me sustentou tanto tempo. O amor pela liberdade, pelo sonho da ousadia. Hoje, cravo as unhas no peito até alcançar o coração, músculo cujo qual aperto sem dó nem piedade, só a procura das reminiscências que quero resgatar e reter. Mas...

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