Chegaste suave, feito Primavera. Foste brisa leve, céu limpo reverenciando o luar. Foste o respeitoso azul cintilando a poeira estelar. Floresceste. Coloriste. Desabrochaste.
Daí viraste Verão. Com todo o calor do Sol, escaldaste meu mês inteiro. Trouxeste pés na areia e cores quentes. Mas também chuva torrencial. Breve, mas com o poder de tornar alvoroçado o mar que dantes era calmaria.
Reverteu-se o tempo e te mostraste frio como o Outono. As folhas, abatidas, foram ao chão. Teu céu era nuvioso, exibido em gris. Tuas manhãs eram frias e tuas noites traziam ventos que entoavam sons para uma janela só.
Finalmente, apontaste para a direção do Inverno. Não havia flores nem sol. Os dias morriam antes mesmo de nascer. Transformaste o cosmos em escuridão e abandonaste-me ali, em meio à neve que invadiu o espaço do teu coração.