quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[...]
 Mas eu me perdi de você. Entre idas e vindas de aeroportos quaisquer, nós perdemos o nosso voo.
 E as bagagens ficaram comigo. Você encontrou outro avião e seguiu para outro destino,
cujo qual eu não pude descobrir a tempo para acompanhá-lo. Mas eu prossigo aqui, nesse
saguão, com aquela calça vermelha xadrez e com aquele suéter preto. Eu prossigo aqui, com
as mãos amparadas no vidro que me separa da sala de desembarque. Eu prossigo aqui, parada
no tempo, esperando seus olhos azuis como o mar me encontrarem no meio dessa multidão.
Quero e, muito mais do que isso, preciso mergulhar neles. Mergulhar de cabeça, me afogar. Morrer ali.

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